O que aconteceu com minha biblioteca?

Jorge Luis Borges nos brindou com o aleph, um ponto que permitia, a quem o olhasse, conhecer toda a realidade e obter todo o conhecimento em um único momento de contemplação. Gosto de imaginar que o aleph seja um bit e possível no mundo digital.

Essa elucubração surgiu com a constatação de que há mais de um ano não compro um livro. Não um livro impresso, encontrado tradicionalmente em livrarias, publicado por editoras que ainda trabalham no modelo secular de produzir, tentar vender o maior número de cópias possível de cada edição, cada uma delas composta de milheiros de exemplares dos quais alguns ou muitos acabam encalhando e gerando prejuízos para elas próprias, para os livreiros e para o planeta.

No entanto, tenho lido muito mais. Sou completamente viciado em livros digitais, gastando inclusive mais do que costumava gastar com os de tinta sobre celulose
com a vantagem de que não preciso ampliar a estante.

Desde que passei a usar o Kindle e o Audible, o livro em papel se tornou um objeto de contemplação obsoleto para mim. Alguns podem fazer chover e chorar argumentos sobre o prazer de folhear e sentir o cheiro do papel, incomodo com o brilho da tela, poder carregar para qualquer lugar sem se preocupar com assaltos ou com acidentes, que o livro não enguiça etc e blá blá blá, porém nenhum deles substitui a facilidade de pesquisar com base em recomendações, reviews, avaliações por estrelas feitas por gente ou por computadores, baixa-lo em menos de um minuto e carregar sua estante completíssima para qualquer lugar que queira. Ou, se não quiser ou puder carregá-la, poder acessá-la de qualquer computador.

Tenho variado bem entre ler no Kindle – que imita bem a experiência de troca de páginas, além de permitir ampliar a letra até o ponto mais agradável de leitura – e ouvir audiobooks no Audible, muito útil quando você está preso em um meio de transporte, solto durante a caminhada matinal ou mesmo na cama, com a vista cansada depois de passar quatorze horas na frente de um computador.

Gosto muito do GoodReads, uma rede social de livros incrível que, além de sugerir títulos de acordo com seu perfil, permite saber o que seus amigos estão lendo e ver suas avaliações. A parte mais bacana do serviço é a de recomendações.

Quanto mais você inclui e avalia os livros que já leu, adiciona gêneros favoritos, categoriza sua estante e marca as opções de “Quero ler” ou “Não estou interessado”, melhores dicas você recebe de leitura. A Amazon faz bem essas recomendações, tanto no Kindle quanto no Audible, mas navegar pelas bibliotecas de seus amigos é insuperável.

Agora, olho para a estante em minha casa e me pergunto se seria possível digitalizar todos os meus livros impressos e integrá-los a um sistema de busca que facilite encontrar qualquer citação em qualquer um deles ou, ainda, em uma funcionalidade que permita emprestar para e de amigos. Também fico na dúvida se o mercado editorial vai continuar investindo em papel. É claro que vai, uma mídia nunca substitui a outra, mas investirá com o mesmo afinco e expectativa de retorno? Se você for parar para pensar se isto só serve para livros, assista ao vídeo do Amazon Shopping App abaixo e depois repense.

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