Andróides sonham com um cargo público?

Blade Runner - O Caçador de Androides (1982)

Sou fã incondicional de “Blade Runner – O Caçador de Androides”, assisti ao lançamento nos cinemas em 82, e me assustei quando me dei conta que é um filme de 30 anos atrás. “É um filme antigo, né pai?” perguntou meu filho, antes de ser apresentado a saga de Rick Deckard contra os humanoides equipados com Nexus-6. “Filme antigo” para mim era “Matar ou Morrer”, “Cantando na Chuva”, “Um Corpo que Cai”, “A Um Passo da Eternidade”, todos agora sessentões. Fica mais estranho ainda pensar que a história se passa na década de 90, após uma guerra mundial que destruiu absolutamente tudo, fez com que parte da população migrasse para Marte e onde os androides eram réplicas perfeitas de homens ou de animais, alguns completamente extintos. Estamos no final de 2012, a terceira guerra não aconteceu, um homem em Marte ainda é uma vaga previsão para o final da década e os cientistas ainda não conseguiram fazer com que a inteligência artificial chegue perto da imbecilidade natural. Eles mal sabem que bastaria incorporar todos os vídeos do Youtube na memória de um androide para que a idiotice plena fosse alcançada.

Imaginem androides vivendo entre nós hoje, alguns equipados com iOS, outros com… Android. Teríamos clones dos clones, fabricados da China e que, certamente, trariam bugs incorrigíveis como deixar a tampa do vaso aberta, gritar palavrões no trânsito e eleger outros androides corruptos para cargos públicos. Eu teria um androide em casa, com a função principal de motorista, que, além de passar incólume em blitzes da Lei Seca (o robô, que também tomaria umas, teria um dispositivo interno que transformaria álcool em Halls Preto), levaria e buscaria as crianças na escola no hovercar. O problema é que, se seu sistema fosse atualizado para o iOS6, ao invés de deixá-las na escola na Liberdade, em São Paulo, as largaria na Estátua da Liberdade, em Nova York.

Androides com o cérebro Nexus-6 só eram desmascarados através do Teste Voight-Kampff, uma série de perguntas aplicadas para identificar se o sujeito era replicante ou era mesmo de carne e osso. No livro “Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?” de Philip K. Dick, no qual se baseia o filme de Ridley Scott, o questionário é bem mais detalhado que na versão cinematográfica. As respostas e o aumento involuntário das pupilas entregavam o robô, já que estes não eram capazes de sentir empatia. Por isto, mesmo sem passar pelo teste, tenho certeza absoluta que o Serra é um androide. Outra questão era o tempo de vida dos clones, que se desligavam em quatro anos devido a um problema genético. Seria mole identificar a réplica do Niemeyer, por exemplo. Ainda acho que falta muito para termos androides como os descritos no livro e no filme e, pensando bem, espero que demore bastante, antes que o Lula possa ser clonado e se anime a concorrer a décima reeleição em 2052.

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