A verdade está lá dentro

No post passado falei de perguntas, o que deixa uma angústia inerente ao ser humano que não sabe de onde veio, para que veio, nem para onde vai. Então, resolvi buscar respostas e quem mais chegou perto foi Clotaire Rapaille, um francês naturalizado americano que trabalhava com autistas e se transformou em um dos mais requisitados marqueteiros das 100 maiores companhias da Forbes.

Clotaire é o que podemos chamar de marketeiro antropólogo, um profissional que vai tão a fundo no comportamento do consumidor com o objetivo de desenvolver produtos de grande apelo comercial, ultrapassando o limite, se é que existe algum, entre pesquisa de mercado e antropologia. Para ele, todo tema se resume a uma palavra-chave, um código que varia entre culturas, mas que dentro daquela cultura, constitui o cerne do pensamento dominante.

Ele ajudou a Chrysler, por exemplo, a lançar o PT Cruiser, um dos mais bem sucedidos lançamentos automobilísticos nos Estados Unidos, que não obteve o mesmo sucesso fora dele, ao descobrir que o código cultural americano para “carro” era IDENTIDADE. Os americanos preferem carros que sejam diferentes, que tragam memórias dos passeios de domingo, da sensação de liberdade de estar sobre rodas pela primeira vez, da excitação de uma paixão juvenil, ao contrário dos alemães, cujo código para a mesma palavra era ENGENHARIA.

Este e muitos outros códigos sensacionais estão em seu livro “The Culture Code – An Ingenious Way to Understand Why People Around the World Live and Buy as They Do“, traduzido livremente como “O Código Cultural – uma forma engenhosa de entender porquê as pessoas ao redor do mundo vivem e compram do seu jeito”.

O segredo das pesquisas de Clotaire é que as descobertas não tomam como base os blá-blá-blás de centenas, milhares de respostas de uma pesquisa de mercado tradicional. Observando como as pessoas agem em certas ocasiões ou fazem certas coisas, seus estudos vão além do conteúdo, das palavras, das simples respostas conscientes e buscam a estrutura que, segundo ele, existe em três formas distintas. A primeira é a estrutura biológica, o DNA, constituído do mesmo conteúdo em macacos, elefantes, gatos ou seres humanos, mas que torna cada espécie única de acordo com sua organização. A segunda estrutura é a cultura. Linguagem, arte, meio ambiente, história e outros conteúdos são elementos que, a partir de uma organização, criam uma identidade única para cada cultura. A estrutura final é o indivíduo, único entre as infinitas variedades de DNAs humanos, único no relacionamento com pais, parentes, amigos e professores, relacionamentos estes que dão forma ao script mental individual e cria identidades únicas. Desta forma, o conteúdo das respostas é ignorado e o foco é exclusivo na estrutura, buscada e trabalhada para ser resumida em uma única e imperativa palavra, as vezes, curiosa, como é a palavra encontrada para “queijo”. Na França, o código cultural para queijo é VIVO, nos Estatos Unidos, é MORTO. Com isto em mente, fica até fácil analisar e comparar as preferências e formas de se alimentar de franceses e americanos, o slow food do fast food, o queijo fresco do queijo pasteurizado.

Falando em comida, você sabe qual é o código cultural para amor, sedução, sexo, beleza, obesidade, saúde, juventude, casa, trabalho, dinheiro, qualidade, perfeição, álcool, compras, luxúria e outros? Leia o livro e descubra. A resposta para o que nos faz viver, comprar e até mesmo amar da forma como amamos está nos códigos.

O Código Cultural
O Código Cultural é a resposta?

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