Crowdsourcing – A Cauda Longa da Solidariedade

Uma das mais importantes funcionalidades trazidas pela Internet foi a de agrupar indivíduos com diferentes experiências em torno de um objetivo comum. Da discussão de um tema até o compartilhamento de informação, a rede facilita cada vez mais a interconexão de pessoas e mudou a forma como trabalhamos, estudamos, pesquisamos.

Uma dessas “formas” é o “crowdsourcing” ou, em uma livre tradução, “multidão de mão-de-obra”. Segundo a Wikipedia – um belo exemplo de crowdsourcing – trata-se de “um modelo de produção que utiliza a inteligência e os conhecimentos coletivos e voluntários espalhados pela Internet para resolver problemas, criar conteúdo e soluções ou desenvolver novas tecnologias”.

Se compararmos a Internet com o homem, os cabos e fios que conectam computadores e servidores seriam as veias, ligando órgãos, os protocolos e pacotes que levam a informação de um lado para outro seriam o sangue e a camada humana da rede seria o espírito, a alma que vivifica a tecnologia do corpo.

O “crowdsourcing” pode ser comparado à ação coordenada, e ainda assim independente, de diversas partes do corpo, movida por uma força desconhecida para curar uma doença, gerar uma vida ou desenvolver novas funções para se adaptar ao meio ambiente.

A conectividade da Internet torna possível encontrar expertises complementares e montar o quebra cabeças da criação e produção como nunca antes. É a cauda longa da experiência pessoal para resolver questões de mão-de-obra, troca de informação, compartilhamento de hardware e software, criação colaborativa, redes sociais, mercado de ideias e contribuições conjuntas.

Não é necessário ir muito a fundo para explicar o poder que ganhamos para nossos projetos de mudar o mundo. Nunca na história do homem, a solidariedade teve tantas ferramentas disponíveis para se fazer mais presente e eficiente entre pessoas, estejam elas na mesma esquina ou na Somália.

Uma das vértebras do crowdsourcing é o crowdfunding, a geração de fundos para projetos, sociais ou não, mobilizando investidores entre a multidão para custear ideias propostas por uma ou mais pessoas dentro desta multidão. Um exemplo disto é o Crowdrise, que levantou 3 milhões de dólares para a Maratona de Nova York de 2011. É claro que a grande maioria das doações fica bem longe destas cifras, mas, assim como o Crowdrise, existem centenas de outros sites, cada um com seus milhares de projetos fundeados.

Um estudo da Blackbaud, desenvolvedor de soluções para gerenciamento de doações online para diversas organizações sem fins lucrativos, informa que a média levantada por cada organização nos EUA em 2012 foi de US$366.572,00, o que corresponde ao salário médio anual de 8,8 americanos e a um crescimento de 15,8% em relação a 2011.

Se você tem uma ideia para ajudar pessoas ou instituições, o crowdsourcing é um caminho para unir colaboradores com diferentes conhecimentos através de um objetivo comum e o crowdfunding uma maneira de arrecadar fundos para transformar o sonho de um mundo melhor em realidade.

Aproveito e deixo a lista de alguns caminhos, cada um com suas particularidades e requisitos, que podem gerar contribuições para sua causa:

33 NEEDS – http://33needs.com/
ADVERTACTIVIST – http://www.advertactivist.com/
CAUSES – http://www.causes.com/
CROWDRISE – http://www.crowdrise.com
INDIEGOGO – http://www.indiegogo.com
IOBY – http://ioby.org/
KICKSTARTER – http://www.kickstarter.com
MICROPLACE – http://www.microplace.com/
OPENIDEO – http://www.openideo.com
SPARKED – http://www.sparked.com/
STARTMEGOOD – http://startsomegood.com/

Mas lembre-se que estes sistemas são apenas o sangue que vai unir as partes do corpo. O espírito – a força para mobilizar familiares, amigos, comunidades e o mundo em torno da causa – precisa de uma faísca. Você se habilita?