Como Escrever um Livro Visceral de Autoajuda

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Autoajuda é um segmento tão controverso quanto um filme do Lars Von Trier. Culpa dos escritores que confundem autoconhecimento com conhecimento automático.

Se você é do time que acha que autoajuda é exploração de leitores desesperados, talvez você tenha sido enganado por aqueles que optaram pelo incentivo estúpido do tipo “vamos, dê o primeiro passo!, sem saber que, na verdade, havia um precipício logo adiante. Ou por aqueles que chafurdaram na lama das insatisfações humanas com o único objetivo de alimentar seus próprios bolsos e egos.

Então, o que é preciso para escrever um livro de autoajuda que cause impacto? É o que você vai descobrir a seguir.

Pessoas compram livros de autoajuda para descobrirem, lá por volta do capítulo final, que apesar da baixa autoestima, elas são capazes de resolver seus problemas.

Para escrever um best-seller de autoajuda, você precisa transformar o ato de comprar seu livro na “coisa certa a fazer”, em motivo de orgulho e não de arrependimento. Eis algumas sugestões para trilhar este caminho:

1. Descubra o desejo primal do seu leitor e dê a ele.

Ninguém dá a mínima para o que você quer vender, pessoas se importam com o que querem comprar. Este é o conselho máximo que posso te dar se seu objetivo é escrever autoajuda para ganhar dinheiro. Não faça isto!

Como bem disse Roberto Shinyashiki, você só ganha dinheiro se: (1) ensinar as pessoas a ganharem dinheiro; (2) ensinar as pessoas a resolverem um problema; (3) elevar o padrão mental das pessoas.

Ensine de verdade como ganhar dinheiro, poupar dinheiro, tempo ou esforço, como melhorar a saúde ou a aparência, como impressionar ou conquistar outras pessoas, enfim, como eliminar a dor ou aumentar o prazer sem enganar o leitor.

O cérebro reptiliano, mestre de nossos desejos mais básicos, é 100% irracional. Então, pesquise seu mercado e entregue para seu leitor o que ele realmente (realmente mesmo!) precisa para satisfazer estes desejos.

2. Ative o modo “murro no estômago” de contar histórias.

Recheie seu livro com histórias que causam catalepsia nos olhos de quem o lê. Responda: como eu posso impactar o leitor neste capítulo a ponto dele perder o fôlego com a leitura?

O segredo é, ao invés de se perder em blá-blá-blás sobre como recuperar seu relacionamento, conte uma história que ilustre a resolução do problema visualmente. Pinte imagens vivas na mente do seu leitor. Projete um filme na cabeça dele. Nunca o chateie.

3. O pecado mora ao lado

Use os sete pecados capitais como base para contar histórias, eles falam diretamente com nosso lado mais reptiliano. Conte histórias sobre…

• A Gula, sobre excessos, sobre algo que é mais do que necessário.
• A Avareza, sobre mesquinharia, sobre a dificuldade de compartilhar.
• A Luxúria, sobre como as mulheres ou os homens grudam em você.
• A Ira, sobre como a raiva cega e impede de enxergar a solução.
• A Inveja, sobre como o verde da grama do vizinho pode ensinar a cuidar melhor do seu jardim.
• A Preguiça: sobre como é fácil, simples, sobre como foi feito para você.
• A Soberba, sobre como o orgulho embaça a procura de ajuda.

4. Confirme as suspeitas do seu leitor 

Confirme os prejuízos, crenças e medos irracionais que congelam sua alma. Se você der voz àquilo que eu acredito ou temo do fundo do coração – mas que nunca tive coragem de dizer para ninguém – eu confiarei em você para sempre. Mas seja autêntico. No caso da autoajuda, a mentira, além de pernas curtas, tem os tornozelos fraturados.

Dizem que o segredo da persuasão passa por encorajar sonhos, justificar falhas, aliviar medos, confirmar suspeitais e ajudar a combater um inimigo em comum. Que tal usar isto como base para delinear seus capítulos?

5. Filosofe

Segundo Epíteto, “é impossível para um homem aprender aquilo que ele já sabe.” No fundo, todo mundo sabe a solução para seus problemas, só não sabe como encontrá-la em si mesmo. Fica esperando alguma resposta dos Céus ou que outra alma caridosa resolva por ela. Filosofia clareia o mundo interior. O amor à sabedoria ilumina a alma. Ajude seu leitor a encontrar a própria luz.

Na maioria dos filmes do Lars Von Trier, uma personagem apresenta alguma forma de transcendência após enfrentar duras adversidades. Transcender com o autoconhecimento é o segredo dos livros de autoajuda da melhor qualidade.

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