10 Perguntas Que Você Deve Se Fazer Antes de Escrever um Livro

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Você sabe qual é o fator mais importante de um livro? A qualidade. No entanto, muitas vezes escritores se perdem por “acharem” que seus leitores vão gostar do que escrevem. Este é o ponto em que a qualidade derrapa.

Um livro é igual a uma rodada de pôquer: é tudo ou nada. Uma boa rodada como um bom livro pode ter o mesmo engajamento de uma má rodada. Os resultados é que serão diferentes.

Você precisa criar livros com excelência com regularidade se deseja que seu conteúdo faça a diferença e os leitores comprem. O que falta? Estratégia.

Estratégia é uma palavra complicada. Um bom exemplo disto está no filme Tropa de Elite onde a incapacidade do roteirista em pensar em uma boa definição o levou a traduzir a palavra para diversos idiomas.

Estratégia é manter uma alta qualidade no conteúdo de seus livros e de todos os seus conteúdos. Estratégico é entregar entretenimento ou informação de primeiríssima qualidade para quem lê. Já parou para pensar nisto?

A grande maioria dos livros que existe por aí tem como objetivo a autopromoção ou contar histórias que o autor “acha” que são interessantes. Este é o maior erro que você pode cometer. Um bom livro pensa mais no destinatário e do que no mensageiro.

Para ajudá-lo a alcançar e manter esta qualidade listo neste post 10 questões que você deve se fazer antes mesmo de pensar em escrever um livro:

1. Para quem escrevo?

Você já deve ter lido em algum lugar que precisa escrever como se estivesse falando com uma determinada pessoa. Isto é verdade. É a melhor forma de criar um livro que realmente ecoe na mente e, principalmente, no coração de alguém. Antes de pensar em escrever um livro, pense em seu leitor. Antes de cada capítulo, pense e escreva com ele em mente.

Tem mais. Quando escrevo um livro estou certo de que ele não servirá para todo mundo.

A maioria das vezes só vou falar com você mesmo ou com mais uma ou outra pessoa que realmente precisará do que escrevo. Posso mudar o foco, trocar o assunto, mas apenas um pequeno grupo de pessoas vai realmente se importar e gostar dele. Eis mais uma razão porque entregar informação consistente e convincente é de uma importância ímpar.

Se você quer escrever um livro realmente “vendedor” – e sei que quando falo esta palavra muitos tremem – certifique-se de pensar exatamente como seu leitor ideal pensa. Descubra o que você pode escrever para solucionar seu problema ou entretê-lo e como você pode falar diretamente com ele em cada livro.

No entanto, quando você publica o livro, seu leitor ideal se transforma em uma nuvem, pessoas diferentes com interesses diferentes. A pesquisa de opinião será a forma de conhecer mais a fundo os perfis do seu público. Nunca deixe um segmento importante da sua audiência se sentindo de lado ao planejar um livro.

2. Qual é o objetivo do meu livro?

Agora que você já sabe para quem escreve, você precisa especificar o principal objetivo da sua obra. Os motivos podem ser entreter, resolver um problema, levantar uma questão ou apenas ensinar algo.

Se o objetivo é o entretenimento – o foco dos livros de ficção – é importante estudar as técnicas de escrita criativa e aprender como fazer para que seu leitor grude na história com Araldite. O segredo está na trama. Se você pensa em escrever para satisfazer seu ego, repense. Se não está nem aí para técnicas, repense. Para quebrar uma regra, é preciso conhecê-la.

Se seu objetivo é resolver um problema, precisa identificar a abrangência e a complexidade dele antes de começar a escrever o primeiro parágrafo. Cada livro tem a grande oportunidade de solucionar um pequeno problema dentro de um enorme problema. Pare e pense um pouco nisto.

Você escreve um livro que resolve o problema de todos os chineses, mas ele não vende. Por quê? Porque eles não estão interessados na resolução do grande problema. Eles querem saber mesmo como plantar arroz na primavera mesmo sem um espaço adequado. Eis o pequeno problema.

Se o objetivo é levantar uma questão, não pense nisto a não ser que tenha milhares de leitores para que a discussão seja encorajada. Se ninguém te lê ainda ou se é seu primeiro livro, considere os outros objetivos. Não vai rolar mesmo que você use trending topics e outros artifícios do marketing digital para “provocar” leitores. Deixe isto para quando sua base de leitores tiver volume suficiente para que haja eco.

Agora, se o foco é ensinar, o que é diferente de resolver um problema, foque em compartilhar sua experiência, seu conhecimento, algo que seus leitores precisam, mas ainda não sabem que precisam. Tecnicamente, o leitor não sabe que tem um problema, mas você pode ensiná-lo como se prevenir.

Você pode até combinar múltiplos objetivos em um único livro se quiser, apenas tenha em mente cada um deles antes de escrever.

3. Por que meu leitor vai se importar com o livro?

Existe uma grande diferença entre seus objetivos e o objetivo do seu leitor. A função desta pergunta é te colocar na pele do leitor. Ela vai te ajudar a delinear seu conteúdo.

Sua história tem poder de verdade de transformar o leitor?

Você pode querer solucionar um problema através de um livro de autoajuda ou de negócios, mas o leitor não está nem aí para ele, por exemplo. Ele não está preocupado com o problema em si, mas com a dor que ele causa.

Qual a diferença?

Pessoas pagam para curar dores e não para apenas aliviá-las. Alguns até pagam, uma minoria. Se o leitor não tiver uma dor aguda, ele não vai comprar seu livro apenas para se certificar de que “é isto mesmo”.

Cura requer imediatismo. Você precisa resolver o problema agora mesmo. O alívio é algo que pode ser obtido ao longo do tempo. O problema de tentar aliviar uma dor ao invés de curá-la é que quem sofre subestima sua importância e pode continuar vivendo apesar dela. Ela não é tão grave a ponto de fazer com que seu leitor se desespere por uma solução imediata.

Se o objetivo do seu livro é apenas aliviar uma dor ou ensinar, foque antes em fazer com que seu público sinta que precisa saber ou se precaver. Nunca parta diretamente para o “como fazer”, nem mesmo considere isto no título. Antes, crie a necessidade, faça a pessoa se importar com ela. Como dizia Steve Jobs, “as pessoas não sabem o que querem até mostrarmos a elas”.

Uma vez que ela “viva” a necessidade, estará disposta a ouvir sua proposta sobre a solução. Em seguida, já que você fez uma promessa, é necessário cumpri-la. Você precisa resolver o problema e transformar seu leitor em uma pessoa melhor do que era antes de ler seu livro.

4. Como minha abordagem é diferente?

Você já parou para pensar em quantos pontos de vista existem na Terra? Segundo o Wordometer, somos quase 7.5 bilhões. Quantas histórias de vampiros fizeram sucesso justamente por apresentarem uma visão diferente do tema? Quantos livros de autoajuda bem sucedidos falam exatamente da mesma coisa com uma abordagem diferente?

Um olhar original é muito raro. Basta uma busca sobre qualquer assunto para ver como a grande maioria das pessoas pensa da mesma forma, aborda o mesmo assunto de ângulos parecidos. Talvez a expressão “pense fora da caixa” esteja tão cansada que você nem mesmo a considere. Não deveria.

Ofereça uma nova perspectiva e torne-se o dono do garimpo. Faça pesquisas e pense em como você pode apresentar uma nova perspectiva, uma forma de ver a solução que faz com que seus concorrentes se mordam de inveja:

– Como eu não pensei em uma história com bruxos adolescentes antes?

A melhor forma de fazer isto é através da pesquisa. É muito arriscado escrever um livro sem fazer pesquisa antes, pois você corre o risco de ser igual aos outros ou repetir um ponto de vista batido. Você pode “achar”, mas seu leitor terá certeza.

Para realmente se sobressair na multidão de livros que infestam as livrarias digitais ou de tijolo e cimento, você precisa criar algo excepcional.

As qualidades que tornam um livro de ficção extraordinário são interesse e poder de diversão.

As qualidades que tornam um livro de não ficção notável são utilidade e praticidade.

Crie um livro que seja mais parecido com uma obra de arte do que simplesmente um arremedo de histórias “do momento” ou um manual de como resolver um problema.

Uma perspectiva diferente melhora um ângulo existente, adiciona experiências pessoais únicas, agrega opiniões valorosas e, o que mais funciona, combina visões distintas.

Como assim?

Vou responder com dois exemplos de não ficção que, além de venderem milhões de cópias, foram exaustivamente copiados pela manada: “O Monge e o Executivo” e “Sopa de Galinha Para a Alma”.

Posso responder também com ficção e, cabe a você adivinhar quais são os Best-Sellers: vampiros vegetarianos e sadomasoquista amoroso.

Sei que isto é como encontrar uma agulha em um palheiro. No entanto, o que vale mais, a agulha ou um amontoado de palhas? Ninguém procura palha no agulheiro. O que acontece depois você já sabe, milhares de palhas tentam se aproveitar da agulha.

Seja qual for o tema, encontre uma maneira de apresentá-lo de um ângulo original. Uma maneira simples e direta de fazer isto é através de buscas. Se nenhum resultado foi encontrado, você está no caminho certo.

Além da perspectiva, é importante pensar também na forma de entrega. Um livro é o suficiente para apresentar sua visão ou você deve considerar um curso online, um aplicativo, uma poesia? Qual a melhor forma de entregar seu conteúdo?

Cada meio possui vantagens e desvantagens para o mensageiro e para o destinatário. Alguns têm mais poder de entretenimento, outros são mais adequados para entregar informação. Alguns são bons para uma trilogia ou uma série, outros são ótimos para uma mensagem de até 140 caracteres.

Avalie o tamanho e o objetivo de sua mensagem e escolha o meio de acordo com suas forças e fraquezas. Mais do que isto, olhe para o mercado, para seus concorrentes e observe como eles entregam seus conteúdos. Analise as ameaças e as oportunidades.

5. Quando vou publicar meu livro?

Antes de começar a escrever, você precisa estabelecer uma data de entrega razoável. Entenda como razoável um prazo que te permita produzir um conteúdo de primeira sem que sobre muito tempo para relaxar. Capice?

Você não se propôs um prazo de entrega? Tsc, tsc, tsc. Saiba que esta é a única forma de publicar livros com frequência e não ficar atado a uma história que não anda ou a um assunto que não te motiva. Isto geralmente resulta em procrastinação e desistência.

Uma das razões porque muitos escritores desistem é que estão preocupados com o momento, não planejam nem olham para o futuro.

– Ah, apocalipse zumbi é o que está bombando agora, então vou escrever sobre isto!

– Nossa, quanta gente falando sobre empreendedorismo digital, tenho que publicar um livro sobre o assunto!

Não faça isto a não ser que você encontre uma abordagem originalíssima. Caso contrário, o resultado será mais uma palha. Pode até ser que você consiga alguma exposição e retorno, porém eu te pergunto: é o que você deseja no fundo do coração ou apenas a oportunidade de surfar na mesma onda, de ganhar algum dinheiro?

Recomendo de forma veemente que você faça pesquisas, analise tendências e olhe além dos narizes da multidão antes de pensar em escrever um livro apenas porque o assunto é quente no momento. Recomendo também que estabeleça um prazo claro para “se entregar” o trabalho. Como bem disse Veríssimo, “a musa do escritor é o prazo”.

6. Qual o impacto do livro em meu futuro?

Você já me ouviu dizendo que nenhum escritor vive de um livro só. Se não ouviu, anote isto no seu diário de bordo imediatamente.

Ao escrever um livro, nunca subestime a oportunidade de deixar ganchos para um próximo, para uma série, trilogia, quadrilogia ou o que seja. Tenha em mente o papel que o livro que você escreve neste momento terá em toda a sua obra.

Quando você não estiver neste mundo e os habitantes do futuro forem analisar sua biografia, como você pretende ser definido?

7. Como farei com que meu livro chegue às mãos de mais e mais leitores?

Muita gente acha que basta publicar um livro e os resultados virão como abelhas em torno de um pote de mel. Sonho seu!

Qual é o papel, hoje, do escritor que se preza? Escrever e vender. No passado, existiam menos escritores, tudo era muito mais fácil. A concorrência era muito menor e o marketing não era tão decisivo para o sucesso de qualquer produto. O marketing também era caro e, por isto, dependia-se de editoras.

Sim, eu sei que incutiram em sua cabeça que escritores devem apenas se preocupar com a escrita, que o escritor de verdade não se preocupa com essas baboseiras comerciais, que o objetivo somente é escrutinar a condição humana através da profundidade das palavras. Quando se está escrevendo, é isto mesmo. Porém, a semana tem, em média, 40 horas produtivas e você pode muito bem se organizar para separar bem as tarefas.

Reveja seus pensamentos limitantes. Deixar de se promover não é bom para você nem para seus leitores. Se você não se promove, nem promove seus livros, menos pessoas vão te ler. Ponto.

Se seu livro é bom, invista na divulgação. Se você tem problemas em lidar com questões de mercado por escrever poesia, separe os horários para cada atividade e, acima de tudo, coloque em sua mente que o leitor precisa te encontrar. Não é possível deixar esta tarefa a cargo das editoras que investem em livros apenas pelo seu poder de conversão mercadológica.

Se, ainda assim, for difícil separar arte e comércio, encare da seguinte forma: um bom livro incentiva a leitura e o Brasil precisa de mais leitores. Você tem obrigação de promovê-lo!

Pensar um pouco no marketing antes de começar a escrever é fundamental porque marketing não é apenas vender. Ele começa antes com a ideia, a pesquisa e o bom planejamento do seu livro.

8. Meu livro pode virar um filme ou um curso?

Tenho certeza que J.K.Rowling sabia ao escrever o primeiro livro da série Harry Potter que ele não caberia apenas em uma centena de folhas de papel bem encadernadas com capas do melhor papel couché e uma bela lombada.

Seu livro pode virar filme, série, novela, curso, treinamento e muitas outras coisas. Pode ser traduzido para diversos idiomas, levar sua mensagem para outras culturas. Seu livro pode mudar o mundo.

Sei que sonhar não custa nada, mas ao se fazer esta pergunta antes de começar a escrever, você vai encarar o projeto todo de uma forma completamente diferente. O comprometimento será outro.

9. O que eu quero que os leitores façam depois de ler meu livro?

As primeiras páginas de um livro fazem com que o leitor decida se continuará a leitura ou não. O sentimento ao terminá-lo será determinante para a compra do seu próximo livro.

– Caramba, que livro ruim! Nunca mais leio nada desse autor!

Para que isto não aconteça, além de entregar um conteúdo transformador ou uma história surpreendente, você precisa deixar claro que vem mais por aí. Pense em como você pode deixar o leitor com água na boca pelos seus próximos conteúdos. Avalie se existe a possibilidade do livro fazer parte de algo maior e deixe uma pista clara que a coisa não acaba ali.

Digo isto porque muitas vezes o autor diz que deseja escrever uma trilogia, mas já parte para produzir o primeiro livro sem saber o que acontece nos seguintes. Delinear a história completa antes é fundamental. J.K.Rowling sabia exatamente o que iria acontecer nos sete livros do bruxo de Hogwarts antes de começar a escrever o primeiro.

10. Como eu meço o sucesso?

Sou tão apaixonado por letras quanto por números. Monitoro cada link de cada campanha, post, e-mail e promoção que faço. Isto é chato? Muitas vezes sim. Mas sem acompanhar de perto os números, não tenho como saber se os resultados foram bons ou ruins.

Antes de publicar um livro, defina como você vai medir o sucesso. Pode parecer óbvio dizer que será determinado pelas vendas, porém, se você não medir cada ação, como saberá o que deu certo ou não até alcançá-lo? Será possível reproduzir em um próximo livro?

Acompanhe regularmente os resultados de seu livro, antes, durante e depois do lançamento. Mais do que isto, monitore cada ação promocional que fizer para aprender o que funciona ou não na hora de divulgar seu trabalho.

Desta forma ,estabeleça os parâmetros que vão determinar se você alcançou seus objetivos de uma forma clara. Quantos livros você espera vender até o dia 31 de dezembro às 23h59m? Coloque uma meta clara e trabalhe diariamente – nos horários em que destinar para isto, é claro – para alcançá-la. Você não imagina o poder que isto tem de gerar resultados.

Qualidade e consistência são os ingredientes do sucesso. Faça-se estas perguntas antes de escrever cada livro e você criará melhores conteúdos com mais frequência e, o mais importante, sem se perder pelo caminho e abandonar o projeto por falta de motivação e foco.

Resumindo as 10 perguntas:

  1. Para quem escrevo?
  2. Qual é o objetivo do meu livro?
  3. Por que meu leitor vai se importar com o livro?
  4. Como minha abordagem é diferente?
  5. Quando vou publicar meu livro?
  6. Qual o impacto do livro em meu futuro?
  7. Como farei com que meu livro chegue às mãos de mais e mais leitores?
  8. Meu livro pode virar um filme ou um curso?
  9. O que eu quero que os leitores façam depois de ler meu livro?
  10. Como eu meço o sucesso?

Deixe seu comentário abaixo e responda: qual é a pergunta mais importante que você se faz antes de começar a escrever um livro?

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