O Segredo Nº 1 dos Escritores Que Vendem

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A sociedade em que vivemos é de uma hipocrisia ímpar. Quando uma criança diz que quer ser artista, é logo questionada. “Não dá para viver disto!”, “Por que você não faz engenharia ou medicina?” são recomendações que muitos já ouviram, principalmente na infância ou na juventude.

“Coitadinho! Quer ser escritor…”

O que acontece com aquela figura cheia de sonhos, por ainda não ter uma visão mais clara do mundo, é que acaba seguindo os conselhos dos iludidos. Faz o que não gosta ou que não tem muita afinidade com seus anseios artísticos. Então, coloca o dinheiro em primeiro plano e toca o barco. O resultado é a frustração.

Depois de uma vida batendo cabeça, obtendo ou não os resultados financeiros que almejava, ela finalmente se dá conta que saiu dos trilhos por algum motivo. No fundo, é infeliz. Então, retorna às origens, à sua essência, alcança a felicidade – e muitas vezes o sucesso – através da escrita.

Os que eram contra, desta vez, mudam o discurso. Os mesmos hipócritas do primeiro parágrafo passam a idolatrá-la neste novo capítulo da vida. Afinal, tornou-se um escritor ou uma escritora bem sucedida. Talvez você já tenha presenciado casos ou ouvido histórias de gente assim ou talvez não. O que eu quero que você pense é:

E se eles tivessem dedicado suas vidas ao seu ideal artístico? 

Quem sonha em viver da escrita, música e outras artes, sejam plásticas ou cênicas, precisa ter muito mais determinação do que quem “estuda para conseguir um bom emprego”, justamente porque rema contra o vento sudoeste da sociedade capitalista selvagem em que vivemos.

Sei que caminhar na direção contrária da manada é difícil, mas o lado engraçado é que este é um movimento praticado por quase todos aqueles que alcançaram o sucesso em qualquer atividade. Tudo é possível com boas ideias, determinação e disciplina.

Tenho uma coleção de frases que recebo com frequência que servem para ilustrar o pensamento ridículo da manada da escrita. São enviadas pelos co-responsáveis por imprimir nas mentes mais tenras a ideia esdrúxula de que arte e comércio são antagônicos.

Eis a receita do escritor fracassado, segundo os próprios:

“O verdadeiro escritor não se preocupa com essas baboseiras de marketing.”

“Escritor que é Escritor escreve, busca expressar o humano através das letras e precisa tomar muito cuidado com esse viés mercadológico.”

Não os culpo. Foram condicionados para confundir ambição com ganância.

Agora, imagine outro cenário. Experimente montar um escritório de engenharia ou um consultório médico e não se promover. Você pode até conseguir um cliente aqui ou paciente ali. No entanto, a tendência é que você sobreviva e não viva daquilo.

Por que tem que ser diferente com a profissão de escritor?
Por que você não pode escrever e vender na mesma encarnação?
Por que para ser considerado um artista sério é preciso passar fome?
Por que a arte quando associada à palavra comercial é considerada lixo?

Lixo existe em toda profissão, não só nas artes e independe de dinheiro. Então, qual é o problema? Antes de tudo, passa por uma questão de “interesses”:

A minha Teoria da Conspiração é a de que financistas, editoras, mídia e todos os outros mecenas da arte propagam estas ideias para manter os artistas longes de seus quinhões.

A profusão de ideias propagadas para garantir que ninguém mexa no grande percentual do queijo deles, acaba gerando um conflito muito forte na cabeça do autor. Os capitalistas da literatura comem a cabeça e o bolso dos escritores desde criancinha e, por mais que você diga que não, acaba impregnado para sempre.

A Psicologia talvez explique:

Como o ato de escrever é um trabalho solitário que requer introspecção, muitos encaram o lado comercial do disco – alcançar a multidão e a extroversão necessárias para “aparecer” – como uma ameaça.

Isto mesmo! O escritor que não gosta de vender e de se promover tem, na verdade, medo, o que é perfeitamente compreensível. A enorme sensibilidade empregada na tarefa de transportar pensamentos para o papel faz com que ele ache insensível a exposição comercial de seu talento. Na verdade, trata-se de um conflito simples entre os mundos interno e externo que ele habita. Escrever é internalizar, vender é externalizar.

No fundo, tudo não passa de uma falsa modéstia. Me diga o nome de um autor que nunca sonhou figurar na lista dos mais vendidos do New York Times ou ingressar na Academia Brasileira de Letras e eu te direi que trata-se de um mentiroso. Saiba apenas que nenhum dos autores que chegou lá pensava somente em “buscar expressar o humano através das letras esquecendo o mercado e considerava marketing uma baboseira”.

Onde está, então, a verdadeira raiz deste problema? A meu ver, reside em cada um e na soma dos pensamentos limitantes propagados pela turma que listei acima e pelos escritores que caíram nesta quando o assunto é “la plata“. Ao longo dos séculos, nossa veia comercial foi sendo minada para nos contentarmos com as sobras.

A religião e seus pecados também tiveram influencia. A ideia de que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus tem deixado muitas pessoas, incluindo escritores e artistas em geral, à mingua ao longo da história. Como assim?

Vou tentar descontruir este versículo bíblico criado por São Mateus para você se livrar deste mal para sempre, amém. O que Jesus quis realmente dizer é que é muito difícil alguém com muitas posses se desligar de seus bens materiais para entrar em um estado de paz e tranquilidade mental e espiritual. E isto é verdade, porém tem mais relação com a utilização do que com a quantidade de dinheiro envolvida.

Você pode ter muito ou pouco dinheiro, mas se não souber usar e lidar, ele irá roubar seu tempo e seu espaço com distrações insignificantes. Isto fará com que você se distancie de sua essência e que se desconecte do seu Ser, algo fundamental para escrever bem. Assim, a ideia de “ganhar dinheiro” é vista como oposta ao ato de escrever, uma atividade espiritual e imaterial por natureza.

Qual a solução?  Mudar sua forma de enxergar o dinheiro como algo não compatível com a função de escritor é imprescindível. Além disto, eis alguns conselhos:

#1 – Aprenda a usar o dinheiro

Conecte-se com as cinco sabedorias financeiras. Usar bem seu din-din depende basicamente de algumas variáveis bem simples quando descritas, mas que requerem estudos constantes para que sejam feitas com eficiência: saber ganhar, saber gastar, saber poupar, saber investir e saber compartilhar.

Trate de fortalecer seus conhecimentos em cada uma delas, pois a fraqueza em uma única pode causar problemas em todas as outras.

#2 – Saiba lidar com o dinheiro

Desconecte o dinheiro da saligia. Sim, somente se você aprender a lidar com os haveres diante da gula, da ganância, da luxúria, da ira, da inveja, da preguiça e da soberba, você será rico e, ainda assim, capaz de atravessar o buraco da agulha espiritual.

A ideia de que dinheiro é sujo e não traz felicidade está intimamente ligada ao desequilíbrio nos “desvios” acima. Se não conseguir, mesmo com uma conta bancária recheada, você nunca deixará de ser um pobre de espírito, um camelo entalado.

#3 – Escreva sempre com amor

Por mais dinheiro que você tenha ou venha a ter, nada é capaz de substituir o amor na escrita. Para ter sucesso em qualquer área é preciso gostar do que faz.

Se você não ama a tarefa de unir as palavras e, com isto, construir parágrafos, capítulos, livros e universos inteiros, é melhor seguir por outro caminho mesmo. O escritor predestinado ama o que faz. Ele tem compulsão pelos significados, obsessão pelas grandes ideias e teimosia pela clareza de expressão.

Além de gostar de escolher as palavras certas e ser apaixonado pelo ato de colocar uma letra do lado da outra, ele nunca se contenta com o óbvio, com os clichés, com a pobreza do vocabulário, com a fraqueza do ritmo, do tom, do andamento. As palavras importam.

#4 – Seja um servo do seu Leitor

Você pode escrever a frase mais poética e inteligente da face da terra, mas se ela não servir para o leitor, não servirá para nada. A auto-expressão decorrente da experiência pessoal com a beleza e a verdade é responsável por grandes textos, porém, se você trabalha com uma atitude de servir a si próprio, é muito provável que não chegue a lugar algum.

Nada é capaz de despertar sua grandeza como o desejo de servir o outro. O sucesso de um escritor depende do foco em seu público e não em seu umbigo. O escritor que se preza busca, antes de tudo, a satisfação de quem o lê e vive a serviço do seu leitor. Eis o segredo do sucesso.

Enfim, você não só pode como deve conjugar arte e comércio na mesma sentença. Separando o tempo para vestir cada chapéu, não há problema algum nisto, muito pelo contrário.

Encare sua profissão de escritor como um negócio. Um bom negócio requer pesquisa, planejamento, marketing e, principalmente, produtos de qualidade. Foque em entregar histórias e conteúdo que transformem. Não tenha calafrios ou coceira no nariz com estas palavras e trabalhe, não por dinheiro, mas para fazer a diferença na vida das pessoas, para servir aos seus leitores. Isto requer muito amor.

Mais tarde, quando o dinheiro vier, cuide para que ele seja muito bem utilizado e nunca permita que o “consumir” devore sua paz de espírito e sua alma de escritor.

Sucesso!

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