Por Que Você Não Escreve?

Escrever é fácil. Difícil é parar, sentar, respirar, meditar e escrever.

Neste post, você vai descobrir por que é tão complicado pegar uma caneta e um papel, ou mesmo sentar-se diante do computador, e transformar o que é metafísico, suas ideias, no que é físico: um livro.

O mundo ao seu redor tem uma função: levar você cada vez para mais longe de você mesmo.

Do trabalho à família, da TV às redes sociais, tudo existe para te distrair.

Há um ditado judaico que diz que o homem prefere entreter-se a educar-se.

E ele pode ser mais profundo ainda:

O homem prefere ser interrompido do que mergulhar no autoconhecimento.

O tempo todo, você é submetido a interrupções e estímulos que te mantêm longe de seu centro.

O mundo quer que você viva nas bordas e não no centro.

O mundo quer que você seja esquerda ou direita, comunista ou capitalista, Flamengo ou Fluminense, Brasil ou Argentina, Católico ou Evangélico, Judeu ou Muçulmano.

O mundo quer que você seja extremamente religioso ou extremamente científico.

Sim, é a função do mundo te manter o mais distante possível do equilíbrio.

Assim, é por isto que você não escreve:

“Porque escrever te equilibra”.

Na verdade, você tem medo de parar, sentar, respirar, meditar e encontrar-se com você mesmo, com seu verdadeiro SER.

E é exatamente por isto que, o tempo todo, você é interrompido (ou prefere se deixar interromper) pelo FAZER.

Você tem milhares de coisas para fazer, para cuidar, para resolver, mas todas elas estão relacionadas com o que lhe é externo.

O que é interno precisa ficar longe, escondido, anestesiado.

Por isso, o homem bebe, se droga, dorme: para fugir de si mesmo.

Este é o motivo pelo qual meditar é considerado algo tão difícil pela maioria das pessoas.

E a escrita também tem este problema: ela te coloca não frente a frente, mas dentro daquele ou daquela que você verdadeiramente É.

Também não importa se você escreve romances, autoajuda ou poesia.

Quando você escreve, você se conecta com o que há de mais profundo aí dentro.

Assim, a resposta para a pergunta do título do post também é:

“Você não escreve porque foge de si mesmo!”

Na estrada do autoconhecimento, é cada um por si.

Não existem placas, asfalto, nem mesmo acostamento.

Alguns tentam cobrar pedágio, mas a estrada dos outros invariavelmente te leva para fora e não para dentro.

Porque, na verdade, não existe uma estrada para o autoconhecimento.

O que existe é uma trilha árdua, íngreme, cerrada, repleta de desafios. E a escalada é lenta, exige foco, respiração e disciplina.

– “Vamos ficar aqui em baixo com o Netflix e o Facebook mesmo que é mais fácil”, você pensa.

E por mais que você se distraia, a solidão vai tomando conta do seu ser. A jovem poeta canadense Rupi Kaur definiu bem este sentimento:

“A solidão é um sinal de que você precisa desesperadamente de si mesmo”.

O fato é que, quando você desliga o externo e mergulha por inteiro em seu mundo interno, a primeira coisa que encontra é bastante difícil de encarar.

Ao chegar neste estágio, você descobre que, por mais que esteja rodeado de coisas, amigos e estímulos externos, lá no fundo você é mesmo um solitário.

Esta é sua real condição.

Sim, estamos todos sozinhos.

No entanto, se você não aprende a descobrir e a se apaixonar por esta solidão (que é belíssima!), vai procurar a distração de novo.

Você vai adorar ser interrompido o tempo todo.

E no final de uma vida repleta de interrupções, você vai se perguntar, insatisfeito:

– “Para que eu vim aqui mesmo?”

Mas não haverá mais tempo de responder.

Portanto, pare!

Sente-se!

Respire!

Medite!

Escreva!

Você poderá  descobrir, por exemplo, o que Cecília Meireles encontrou quando escreveu:

“No mistério do sem-fim
Equilibra-se um planeta
E, no jardim, um canteiro
No canteiro, uma violeta
E, sobre ela, o dia inteiro
A asa de uma borboleta”

Há algum outro motivo para você não escrever?

Deixe nos comentários.

Um abraço,

Eldes

PS: Dia 27 de Março, lanço meu novo livro “Como Transcender no Metrô Lotado – O manual para ser feliz
em um mundo conturbado”.  Role a tela até embaixo e siga o Blog para ficar por dentro das novidades.

***

10 comentários Adicione o seu

  1. Vânia Bonadio disse:

    Excelente artigo, Eldes! É exatamente isso! Escrever é bater um bom papo consigo mesmo! Parabéns pelo post e sucesso com seu livro!
    Abraços!

  2. Katia Viola disse:

    Gostei muito do artigo, cheio de insights inspiradores.

  3. Sônia Pires disse:

    Exatamente isso que faço, claro que nem sempre consigo, mas viajar em meus pensamentos mais remotos e transcrevê-lo, é pôr em prática a mais pura realidade dos meus dias.
    Deseote los mejores pensamientos que en realidad los tengas, para que pueda leerlos y conocer de ti, tus mejores dias!

  4. alexandre castro disse:

    tenho dois livros escritos, gostaria de lança-los na amazon como eu faço?

  5. paulo césar disse:

    Adorei o post e o poema. Certamente essa ideia renderia muitas outras abordagens…

  6. Tenho muita dificuldade de escrever, de juntar , de dar continuidade ao que já iniciei, me saboto o tempo todo e tenho duvidas se escrever é meu real intento… será que alguém vai querer ler o que escrevi? será que vai fazer diferença pra alguém? será que escrevo certo… talvez estar me expondo seja um perigo. Muitas duvidas norteiam uma caminhada que gostaria que acontecesse.

    1. Felipe Felix disse:

      Eu sou um colecionador de palavras chave, ou seja, observo tudo e todos, e, muita das vezes, uma observação mais espiritualizada sobre o que ocorre ao nosso redor já é um gancho para as ideias aflorar, então vou anotando frases e insights para que eu depois elabore um raciocinio sobre aquilo, ou seja, se eu observo um cadeirante, já tento entrar um pouquinho nesse mundinho dele e, basta umas pesquisas sobre “vida afetiva, sexual, profissional de um cadeirante” e a internet já vai me guiando e assim vou elaborando o raciocinio – acabo criando diversos blocos desconexos, porém, naturalmente vou encontrando uma forma de conectar os blocos gerando um enredo (to escrevendo sobre vida profissional, de forma que as pessoas reflitam sobre as neuroses absorvidas do ambiente cultural)… confesso uma coisa, literalmente desliguei a TV e me desliguei da midia, pois, é impossivel entrar em outra dimensão intelectual se continuarmos sendo intoxicados com tantas desgraças e falacias que a tv e a midia em geral impregna em nossas mentes… já to a 5 meses sem midia, porém, não to alienado, já que acompanho alguns canais no youtube que refletem sobre acontecimentos do momento, tais como canal do otario, e diversos outros que falam de politica, economia e atualidades.

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