Como Equilibrar a Vida de Escritor de Ficção Científica com Outra Vida – Entrevista com Clovis Nicacio

Hoje inauguro um novo tipo de entrevistas com autores aqui no blog.

O objetivo é sair do modelo perguntas e respostas e me aprofundar mais em suas histórias.

E ninguém melhor para começar do que um dos mais prolixos autores de Ficção Científica e Fantasia da atualidade, o paulistano Clovis Nicacio, alguém que, segundo suas próprias palavras, sonha acordado todos os dias.

Clovis respira tecnologia, trabalha com sistemas de informação, e, por isto mesmo, encara com naturalidade o fato de sonhar com naves espaciais, paradoxos temporais, planetas distantes e povoar tudo isto com as criaturas que muitos sonham em encontrar.

“Algumas adoráveis, outras assustadoras. Escrever permite dar vida para tudo isso, mesmo que seja apenas no papel. É viver intensamente, dentro do imaginário.”, revela o autor.

Clovis está lançando seu novo livro, o décimo quarto em pouco mais de três anos, fato que já lhe rendeu uma comparação com Isaac Azimov.


As Cinco Esposas de Nathan conta a história de um homem comum, sem nenhuma pretensão quanto ao futuro.

Quando vai parar no hospital, recebe a ajuda de uma viajante do tempo, que insinua ser sua futura esposa.

Mas ela não será a única, como Nathan descobrirá nos séculos seguintes, mas ele vai precisar se tornar o que nunca imaginou antes de se casar com cinco mulheres.

Clovis conta que a inspiração para a história brotou durante uma internação para tratar de um problema cardíaco.

Uma semana observando a rotina de médicos e enfermeiras, preocupado com a própria saúde, fez surgir a ideia de como seria se alguém do futuro viesse ajudar. Alguém que dominasse técnicas futurísticas e tivesse um motivo.

Anne surgiu nos sonhos e me contou a história. E ela não veio sozinha…”, completa o autor.

Clovis Nicacio também é autor da série “Alana Ghosten e o Novo Mundo”, uma trilogia na qual reinventa o mito do vampiro.

Tudo gira em torno de um processo de cura do vampirismo. O segredo disto eu não vou contar aqui, você vai precisar descobrir lendo.

Alana surgiu de um desafio que ele mesmo se propôs:

Quando decidi escrever minha primeira história faltava um assunto. Pesquisando na Internet encontrei uma jovem pedindo ajuda para escrever sobre vampiros. Recebeu uma resposta estúpida, dizendo para esquecer um assunto tão batido, assassinando o sonho dela. Comprei a briga e escrevi uma trilogia renovando o tema. Que não está esgotado. Ainda tem muitas facetas a serem exploradas. As ideias nunca acabam.

Em um gênero repleto de clichés e histórias repetitivas como a Ficção Científica, a originalidade tem sido seu ponto forte.

O estonteante “MRQ-7000 – Mãe Raimunda do Quilombo ou Quando a inteligência evolui para instintos” revela essa qualidade rara para criar histórias futurísticas com a plausibilidade necessária para fazer os leitores acreditarem.

E Ficção Científica para mim é isto: suspender a descrença.

Clovis conta que a inspiração decorre do dia-a-dia com a tecnologia.

“As informações estão aí, só precisando juntá-las e imaginar para onde seguirão”, afirma. “Existe um encadeamento lógico. Fico imaginando quando os humanos superarão a visão tridimensional limitada e passarão a ver energia pura, com possibilidades infinitas. Todos os limites impostos pela matéria deixarão de existir. A MRQ já existe hoje dentro de celulares, carros, TVs, computadores pessoais e em tudo que é chamado de “smart”. É uma questão de tempo até estes equipamentos precisarem ser acompanhados por psicólogos para não desenvolver o medo. A doutora Clara Sarabia, a personagem principal do livro, será considerada uma profeta”.

Uma das coisas que mais me chama a atenção em Clovis Nicacio é sua rotina de escrita, no constante equilibrar entre a vida dupla de analista de sistemas de uma grande multinacional e a de criador de mundos fantásticos.

Ele conta que não é fácil, que começou como uma atividade paralela para fazer a transição até o momento da aposentadoria, ou, segundo sua grande metáfora: “de uma vida para o pós-vida”.

Vejo muitos escritores imediatistas que acreditam serem capazes de escrever um livro na segunda, publicar na terça, procrastinar na quarta e quinta e colher os louros do sucesso já na sexta-feira.

“As duas atividades seguem de vento em popa”, explica o determinado autor. “Espero que continuem paralelas por um bom tempo. O problema é conciliar o tempo para cada uma. Analista durante o dia e escritor à noite.”

Um dos maiores desafios na vida de escritor, segundo ele, é o aprendizado constante e sem fim.

“Nenhuma obra está finalizada. Cada vez que leio o que já escrevi encontro trechos para reescrever e melhorar. Tento usar isso de uma forma positiva, como uma avaliação do meu próprio trabalho. Se encontro falhas é porque aprendi mais alguma coisa. Acaba sendo gratificante.”

Clovis conta que a área mais difícil para ele é o Marketing, a divulgação de seus livros, o que é muito comum entre autores independentes.

Estou saindo da minha zona de conforto e estudando o que desconhecia quando comecei. Marketing Digital é um destes pontos. O caminho é longo, ainda estou no princípio, tropeçando, mas é uma necessidade que preciso superar. Estou me preparando para explorar as mídias sociais de uma forma mais profissional. A vida no pós-vida exige isso, por ser um outro mundo”.

Clovis também conta que uma coisa que aprendeu com Alana, sua primeira personagem, é que o escritor não cria histórias, são as histórias que exigem ser contadas.

“Cada personagem conversa com o autor de uma forma diferente, de uma maneira própria. O segredo é aprender a ouvir o que cada um quer contar. Claro que depois vem o trabalho, muito. Escolher as palavras mais adequadas, a técnica que melhor se aplica, evitar as falhas que incomodam e por aí adiante. Fazer um computador falar como um computador, uma vampira como uma vampira e uma criança como criança acaba ficando fácil, quando se ouve o personagem. E o conselho que já virou clichê é nunca parar ou desistir. Ideias nunca acabam, sempre tem um personagem novo querendo sair para o mundo. Ou vários!”.

“As Cinco Esposas de Nathan” , que também é uma trilogia (a primeira parte tem como subtítulo “As Guardiãs da História“) é o quarto livro de Clovis editado pela Casa do Escritor.

Pela Casa, ele também publicou a trilogia “Alana Ghosten e o Novo Mundo”, que conta com os livros “O Sorriso da Vampira”, “O Resgate da Deusa” e “As Viúvas do Vampiro”.

A Casa do Escritor é uma Consultoria e Serviços que eu presto para autores, com o objetivo de colocar no mercado livros com a qualidade de uma editora tradicional e as vantagens da publicação independente, como continuar dono de 100% dos direitos e dos royalties, por exemplo.

Os livros de Clovis Nicacio estão à venda em e-book e papel na Amazon.

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