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Anatomia de um Best-Seller: Parte VII – Ritmo

Nos seis primeiros artigos da série “Anatomia de um BestSeller”, abordamos Temas Universais, Enredo, Personagens capazes de se conectar com o leitor, Ambientação, Qualidade da Escrita e Batidas Emocionais como ingredientes fundamentais dos livros com poder de encantar mentes, corações e bolsos dos leitores.

No capítulo de hoje, vamos mergulhar no sétimo item da lista de dez partes capazes de transformar simples histórias em grandes sucessos.

Ritmo em uma obra literária é mais do que apenas a sequência de eventos.

Estamos falando da pulsação que mantém a narrativa viva e o leitor engajado.

Estamos falando do trote e do galope de Calvino, que mantêm a dinâmica da trama e o leitor imerso na jornada narrativa.

Em termos simples, o ritmo é a velocidade e o fluxo com que a história é contada, não necessariamente a do tempo dos acontecimentos.

Ele determina como o leitor experienciará o enredo e os personagens, o que pode ser usado a seu favor, conforme o gênero.

Trata-se de um elemento que você vai precisar calibrar com precisão, considerando não apenas o tempo de cena e a velocidade com que os eventos se desenrolam, mas também o compasso em que as informações são reveladas ao leitor.

Uma boa história trabalha a variação de ritmos.

Você acelera, reduz, varia, cresce, decresce, ondula, fragmenta, une.

É óbvio que o gênero tem a capacidade de impactar o ritmo, como veremos ao longo do artigo.

 “O Nome da Rosa”, de Umberto Eco, é um suspense que combina elementos de mistério com extensas discussões teológicas e filosóficas.

Há momentos de rápida progressão, quando a investigação do assassinato toma a frente e a leitura se torna mais ágil.

Há passagens descritivas detalhadas e debates intelectuais que desaceleram o ritmo e convidam à reflexão.

Essa alternância entre tensão e pausa é cuidadosamente administrada para manter o leitor engajado, alimentando o suspense e o interesse pelas complexas interações entre os personagens e os temas mais profundos do livro.

Na ficção não tão futurista “1984”, George Orwell emprega um ritmo acelerado nos momentos de alta tensão, como quando aborda a relação secreta entre Winston e Julia, e um andamento mais vagaroso e reflexivo nas considerações sobre o Estado autoritário governado pelo Grande Irmão.

Comédias tendem a saltar de uma cena a outra com mais agilidade.

Dramas costumam ter um ritmo geral mais lento, com capítulos mais longos.

Você controla o ritmo com descrições, narrações, diálogos, cenas de ação e algumas técnicas que vamos destrinchar nesse capítulo.

Como você acelera?

Simplificando a sequência de eventos, optando por cenas breves, alternando entre parágrafos curtos, usando frases enxutas, com o dinamismo dos diálogos e ações, com voz ativa e verbos fortes, eliminando redundâncias e excessos descritivos, excluindo cenas desnecessárias.

E como diminui o ritmo?

Investindo em descrições detalhadas, com frases mais longas e narrações envolventes, explorando a introspecção nos personagens.

Assim, o sétimo grande aprendizado que quero compartilhar com você é…

“Dominar o ritmo é vital para capturar e manter o interesse do leitor, tornando a obra uma experiência memorável”.

Antes de tudo, é crucial entender que a estrutura da narrativa e o ritmo são interdependentes.

Um complementa o outro, criando uma experiência de leitura mais enriquecedora.

O diálogo insufla vitalidade em personagens e histórias, a ação conduz o enredo e a narrativa confere riqueza e camadas.

A escrita é a arte de equilibrar esses elementos de forma que, quando bem feita, resulta em uma sinfonia de palavras e momentos.

O ritmo é um elemento essencial dessa composição, exigindo atenção criteriosa na fusão do diálogo, da ação e da narrativa.

Em cenas onde o conflito se acirra e o ritmo precisa ser rápido, privilegiar o diálogo pode ser uma escolha acertada, tornando os embates verbais mais dinâmicos e imediatos.

Aqui, a urgência do momento é refletida na troca rápida de falas.

Em contraste, há cenas que demandam um andamento mais moderado, nas quais um diálogo tranquilo pode ser mais apropriado do que um monólogo narrativo pesado e complexo.

Cada narrativa possui momentos realçados pela predominância de um único elemento, seja ele o diálogo, a ação ou a descrição.

Não há regras, e a maestria na escrita surge da capacidade de sentir e ajustar o ritmo da história, encontrando o equilíbrio exato para cada cena.

Como na música, é preciso ter “feeling”.

“O Código Da Vinci”, de Dan Brown, é um exemplo perfeito (e bem-sucedido mercadologicamente) de como a variação de ritmo pode intensificar momentos críticos da história, fazendo com que certas cenas ou revelações se destaquem.

O ritmo acelerado é quebrado por momentos de revelação ou resolução dos enigmas, tratados de forma mais lenta para permitir que o impacto emocional dessas cenas afete o leitor.

O ritmo também pode ser usado para manipular as expectativas do leitor, criando uma experiência mais imersiva.

 “A Estrada”, de Cormac McCarthy, constrói uma sensação de desespero e fatalidade, amplificada pela estrutura da narrativa sobre um ritmo deliberadamente lento.

Isso aumenta o impacto emocional dos raros momentos de alívio ou felicidade, tornando-os ainda mais significativos.

Dominar a relação entre ritmo e estrutura é crucial para qualquer escritor que deseja elevar sua obra a um novo patamar.

Mas como você faz isso?

Eis quatro dicas que vão dar um molho extra às suas tramas…

1. Identifique e planeje momentos de maior e menor tensão.

Um dos maiores erros de iniciantes é dar o mesmo peso a todos os momentos de sua história.

A escrita cativante bate no ritmo do coração do seu leitor ideal.

Para cumprir esse desafio, é preciso uma compreensão da estrutura da história, como vimos no segundo capítulo dessa série.

Ao planejar os momentos de tensão em uma trama, parta do enredo, da estrutura da história, marcando onde os picos de tensão devem ocorrer entre as fases de exposição, conflito, clímax e resolução.

Com um esboço detalhado, anote os pontos de intensificação da tensão e as pausas narrativas.

Preste especial atenção ao desenvolvimento dos personagens, pois seus arcos emocionais são essenciais para a dinâmica da tensão.

Você já sabe que o coração de uma história está nos conflitos.

Desta forma, identificar conflitos primários e secundários e planejar sua escalada e resolução ao longo da narrativa é o primeiro passo para estabelecer o ritmo.

Use os momentos de reviravolta e surpresa para alterar o curso da história e revitalizar a cadência da história.

Tomemos o gênero romance como exemplo.

Um bom romance precisa de apenas três partes em sua estrutura: encontro, desencontro e reencontro.

O “Encontro” é a fase onde os personagens principais são apresentados e a premissa da história é estabelecida.

O ritmo aqui pode ser relativamente leve e exploratório, permitindo que os leitores se familiarizem com os personagens e o cenário.

Introduções e desenvolvimentos iniciais devem ser feitos de forma que cativem a atenção, com um ritmo crescente que construa a expectativa para a relação ou o conflito central.

Diálogos ágeis e descrições que revelem a personalidade dos personagens podem ser eficazes para estabelecer uma conexão emocional inicial.

O “Desencontro” é a parte onde o conflito central ocorre, levando a uma separação ou mal-entendido entre os personagens principais.

Aqui, o ritmo deve intensificar-se, refletindo a tensão e os desafios que os personagens enfrentam.

A narrativa pode alternar entre momentos intensos de conflito ou descoberta e períodos mais lentos de introspecção e desenvolvimento de personagem.

O uso de suspense e reviravoltas pode manter o leitor engajado, enquanto as cenas de introspecção permitem uma exploração mais profunda das emoções e motivações dos personagens.

A fase final onde a resolução ocorre, o “Reencontro”, muitas vezes culmina em um clímax emocional ou narrativo.

Leia:  Como Escrever Ficção Científica e Fantasia de Outro Mundo

O ritmo aqui pode começar de forma mais meditativa, à medida que os personagens lidam com os eventos do desencontro, e gradualmente construir até o ponto culminante do reencontro.

Este clímax deve ser tratado com um ritmo acelerado, maximizando a emoção e o impacto.

Após o clímax, o ritmo deve desacelerar, permitindo uma resolução satisfatória e reflexiva, onde os personagens e os leitores podem absorver e refletir sobre os eventos da história.

Você pode se aprofundar na arte de escrever encontros, desencontros e reencontros em meu livro Escrevendo Romances – Como Contar Histórias de Amor Que Apaixonam.

Escreva um romance, uma novela ou até mesmo um conto repleto de paixão e viradas inesquecíveis

2. Estude ritmos poéticos e musicais e utilize-os na prosa.

Você quer escrever no estilo sombrio e despojado de Ernest Hemingway?

Ou talvez na linguagem mítica de J.R.R. Tolkien?

Ou, ainda, dominar a prosa poética, como Machado de Assis?

Antes de tudo, tenha em mente que esses escritores levaram anos para aprimorar a escrita rítmica, que ajudou a definir seus estilos literários.

E, pode ter certeza, que beberam de outras fontes, como a música e a poesia, para alcançar o nível estilístico a que chegaram.

Por que um escritor de prosa deveria saber o que é um iambo, um espondeu, um troqueu, um anapesto, um dátilo?

Ou cadência, aliteração, assonância, dissonância e consonância?

Conhecer e compreender as linguagens poética e musical podem aprimorar significativamente a qualidade de sua escrita prosaica.

Por exemplo, a incorporação de ritmos variados, derivados dessas estruturas métricas, confere à prosa uma fluidez natural.

Em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, Machado de Assis nos brinda com sentenças como “A Sandice ainda gemeu algumas súplicas, grunhiu algumas zangas; mas desenganou-se depressa, deitou a língua de fora, em ar de surriada, e foi andando.”

O uso de iambos (“dei-tou a” ou “foi an-dan-do”), combinados com as aliterações (repetições de sons de D, A e G), conferem à frase um floreio poético e uma sonoridade musical.

O ritmo também pode emprestar peso emocional a certos personagens e cenas.

Por exemplo, um diálogo acelerado e cheio de sílabas acentuadas expressa um senso de urgência e até medo.

“Corre! Eles estão chegando!”

Já um diálogo mais lento e cheio de sílabas não acentuadas pode parecer pacífico e lacônico.

“O tempo passa devagar aqui. A brisa é fresca e agradável.”

Além de tornar a escrita memorável, o ritmo melhora a legibilidade e a beleza do texto.

E também realça a expressividade e a emoção, tornando a narrativa mais envolvente e cativante.

Além disso, o uso consciente dessas técnicas ajuda a reforçar o conteúdo, seja para imprimir um ritmo mais rápido e cortante em cenas de ação, ou em diálogos, ou para criar uma cadência mais suave e reflexiva em momentos introspectivos ou contemplativos.

O uso de pés métricos, aliterações, assonâncias, consonâncias, paralelismo, repetição, onomatopeias e a utilização inteligente de jogos de palavras, trocadilhos e figuras de linguagem acrescentam camadas de interesse rítmico ao texto.

Bem como as variações de estruturas de frases – alternando entre longas e complexas, curtas e diretas -, a cadência, os contrapontos, as transições rítmicas entre sentenças e até mesmo as pausas narrativas.

O texto se transforma em uma sinfonia capaz de hipnotizar quem lê.

Essa consciência da musicalidade e da poesia das palavras não só torna a prosa mais agradável, mas também mais memorável, já que padrões rítmicos consistentes e bem executados tendem a deixar uma impressão duradoura na mente do leitor.

O treinamento n.º 16 da Academia da Casa do Escritor (“Versos Imortais”) se aprofunda em diversas estruturas e formas poéticas que podem ser muito úteis em sua prosa.

O domínio dessas técnicas não apenas amplia o repertório do escritor, mas também enriquece sua conexão com a linguagem, permitindo uma exploração mais profunda e criativa da narrativa.

E pode ajudar a definir a sua própria voz na escrita.

3. Alterne cenas, subtramas, diálogos, descrições.

Uma técnica eficaz para criar um ritmo envolvente é a alternância entre cenas de ação intensa e momentos de calmaria, entre trama e subtramas, entre diálogos dinâmicos e descrições mais demoradas.

Eis a receita para manter o leitor engajado.

Em “O Silêncio dos Inocentes”, Thomas Harris constrói tensão variando sequências de suspense e ação, intercaladas com momentos de introspecção e desenvolvimento de personagem.

Nós podemos ver essa alternância entre ação e pausa com igual eficácia em “Jogos Vorazes” de Suzanne Collins e no próprio “O Código Da Vinci” de Dan Brown.

A mistura de trama e subtramas também desempenha um papel vital na construção do ritmo de uma narrativa.

Subtramas servem não apenas para adicionar camadas à história principal, mas também para ajustar o ritmo geral da obra.

Nas “Crônicas de Gelo e Fogo” de George R.R. Martin, por exemplo, as subtramas são habilmente entrelaçadas com a trama principal, contribuindo para a complexidade e profundidade da história.

O mesmo se aplica a “O Grande Gatsby”, de F. Scott Fitzgerald, e “As Vinhas da Ira”, de John Steinbeck, onde as subtramas enriquecem o contexto e adicionam uma dimensão extra à narrativa, influenciando o ritmo.

Mas a alternância não para por aí.

Você pode revezar capítulos mais densos com capítulos mais leves, intercalando diálogos e descrições.

Diálogos rápidos e cheios de tensão podem acelerar o ritmo da história, criando uma sensação de urgência.

Descrições detalhadas e mais profundas reduzem a velocidade e permitem ao leitor absorver e refletir sobre o ambiente, os personagens e os subtextos da narrativa.

Elas oferecem um momento de pausa e contemplação, enriquecendo a compreensão da história e adicionando camadas à experiência de leitura.

No entanto, você também pode inverter, ser breve nas descrições e mais denso nos diálogos.

Diálogos mais lentos e introspectivos também podem oferecer momentos de pausa e reflexão.

Descrições curtas podem ser o gás para mover a trama um pouco mais rápido.

O segredo está em equilibrar tudo isso para não permitir que o leitor largue o livro.

Na Ficção Científica, por exemplo, a alternância entre sequências tecnologicamente intensas e momentos de reflexão humana pode aprofundar a narrativa, explorando tanto os avanços científicos quanto seus impactos éticos e sociais.

Com isso, o autor consegue conduzir o leitor por mundos extraordinários sem perder o ritmo e mantendo a chama da crença acesa, item fundamental para manter o engajamento em histórias do gênero.

Eu aprofundo as técnicas para “suspender a descrença” no livro “Escrevendo Ficção Científica e Fantasia – Como Contar Histórias de Outros Mundos”.

Escreva uma trama repleta de ciência ou magia desta ou de outra dimensão.

4. Cuide bem dos ganchos e cadeados

O ritmo também é crucial no início e no final de cada capítulo e também no início e fim do livro.

O primeiro capítulo estabelece o tom e captura o interesse do leitor, enquanto o ritmo do final determina a impressão duradoura da obra.

O primeiro parágrafo e o último parágrafo de cada capítulo são fundamentais para agarrar e manter o leitor virando as páginas.

Estamos falando de ganchos para abrir e cadeados para fechar.

Em “O Código Da Vinci”, Dan Brown começa a história com uma cena dramática no Museu do Louvre, imergindo imediatamente o leitor em um mistério envolvente e acelerando o pulso da narrativa.

Este início eficaz estabelece as expectativas para o restante do livro, mantendo o leitor ávido por desvendar os segredos seguintes.

Brown começa capítulos intermediários com elementos que aprofundam o mistério ou introduzem um novo aspecto do enredo.

Leia:  Os 3 Requisitos da Ficção Científica e da Fantasia

Geralmente com uma descrição vívida de um novo local, mergulhando o leitor na atmosfera do lugar, ou com um diálogo intrigante, que revela informações importantes para a trama.

E ele sempre termina os capítulos com suspense, momentos de alta tensão ou revelações surpreendentes que deixam o leitor na expectativa.

Algumas vezes termina com a descoberta de uma pista crucial, outras com um momento perigoso para os personagens, o que instiga a curiosidade e cria uma necessidade imediata de continuar a leitura.

No último capítulo, Brown amarra as pontas soltas da trama, deixa espaço para reflexão e satisfaz o leitor, tudo ao mesmo tempo, levantando uma curiosidade que transcende o próprio universo do livro.

Duvido você não fechar o livro sem acreditar na teoria conspiratória proposta por ele.

Também podemos perceber o uso eficiente de ganchos e cadeados em outro livro que vendeu milhões de cópias: “Cinquenta Tons de Cinza”, de E.L. James.

O início do primeiro livro introduz os protagonistas de uma maneira que imediatamente estabelece a dinâmica entre eles, despertando a curiosidade do leitor sobre como aquela química vai se desenrolar.

James muitas vezes inicia capítulos intermediários focando nas dinâmicas emocionais ou nos acontecimentos recentes na relação dos improváveis pombinhos.

Pode ser uma reflexão interna de Anastasia sobre seus sentimentos e experiências, ou um diálogo tenso entre ela e Christian que estabelece o tom para os eventos do capítulo.

E ela usa geralmente os finais de capítulos para destacar um momento emocional importante da relação.

É uma reviravolta na dinâmica do relacionamento, uma cena íntima significativa, ou um conflito interno expresso por Anastasia.

Esses ganchos tendem a ser mais focados no desenvolvimento emocional e na tensão sexual, mantendo o leitor engajado na evolução pessoal e romântica dos personagens.

O final do livro, por sua vez, deixa uma sensação de conclusão ao mesmo tempo em que abre espaço para a continuidade da história, incentivando o leitor a buscar o próximo volume da série.

Vamos ver como isso funciona em um gênero específico como o terror, no qual a eficácia dos ganchos e cadeados é especialmente vital para criar e manter uma atmosfera de suspense e medo.

Os ganchos no início dos capítulos podem ser usados para introduzir elementos assustadores, como um cenário sombrio, um acontecimento sobrenatural inexplicável ou a sugestão de uma presença ameaçadora.

Esses inícios atraem imediatamente a atenção do leitor, estabelecendo um tom de mistério e antecipação.

Por exemplo, um capítulo pode começar com a descrição de ruídos estranhos em uma casa antiga ou a aparição súbita de uma figura misteriosa, instigando o leitor a descobrir mais.

Já os cadeados, ou os finais de capítulo, são momentos cruciais para acentuar a tensão e o horror.

Eles devem terminar com um clímax de terror, deixando o leitor na beira de um acontecimento aterrorizante ou de uma revelação chocante, o que faz com que seja quase impossível não continuar a leitura.

Se você quiser se aprofundar na escrita desse, que é um dos gêneros mais vendidos no mundo, leia Escrevendo Terror – Como Contar Histórias Sobrenaturais de Arrepiar.

Este ritmo cuidadosamente construído, que oscila entre a tensão crescente e os momentos de revelação, é fundamental para manter o leitor envolvido na narrativa, proporcionando uma experiência imersiva e assustadora característica do gênero.

Tudo o que você precisa para criar um Thriller assombroso e arrancar gritos de seus leitores.

Em meus cursos, oficinas e livros de escrita criativa, incentivo os alunos a utilizarem alguns ganchos específicos, capazes de deixar os leitores ansiosos pelo que vai acontecer.

Uma dica: apele às necessidades básicas, aos instintos, especialmente ao de sobrevivência.

Termine o capítulo com uma cena de ação estonteante ou com a preparação para um ritual carregado de emoções ou segredos.

É óbvio que a transição precisa estar relacionada à estrutura e à sequência da história, e não ser gratuita.

Um dos maiores segredos da escrita é a leitura constante.

Além de inspirar, ler ajuda a desenvolver seu senso de ritmo e a sentir o que funciona e o que não funciona quando o assunto é manter a atenção pregada na história.

Lee Child, o autor da multimilionária série “Jack Reacher”, afirma que o trabalho do escritor é prender o leitor no início do livro e soltá-lo apenas no fim.

Por mais que pareça uma constatação óbvia, trata-se de uma habilidade que precisa ser desenvolvida.

Uma coisa é prender o leitor no início.

Outra é garantir que ele acompanhe a história até o fim.

Mas como fazer isso?

 “É literalmente um processo sílaba por sílaba, da primeira à última palavra. Cada palavra, cada frase, cada parágrafo deve ser concebido, talvez instintivamente, mas também conscientemente, de tal forma que o ritmo caminhe constantemente para frente, para frente, para frente, para que o leitor seja levado pela prosa.”, ele conclui.

Child compara escrever thrillers à música.

 “Você precisa de uma mistura de rápido e lento, uma mistura de frases curtas e frases longas. Você precisa de variação e modulação. Acima de tudo, você precisa de ritmo. Estas são qualidades musicais. O impulso na escrita é criado pela atenção meticulosa aos detalhes, desde a primeira até a última sílaba.”

Escrever tudo em um só ritmo, sugere ele, é o mesmo que não ter ritmo algum.

Uma dica que ele dá é ler a história em voz alta após a conclusão.

Com isso, você pode notar desequilíbrios, pois qualquer quebra de ritmo representa a quebra no transe hipnótico do leitor, lançando-o para fora da história.

Somente a batida perfeita de tensão e alívio vai mantê-lo fascinado até o ponto final.

Um ritmo bem administrado pode fazer a diferença entre um livro que é difícil de largar e um que é fácil de esquecer.

Além disso, ele pode ajudar a destacar momentos cruciais da história, tornando-os ainda mais impactantes.

Para terminar, não podemos nos esquecer que a experiência pessoal e subjetiva do leitor, suas expectativas, conhecimento prévio e sensibilidade individual influenciam como ele percebe o ritmo da narrativa.

Enquanto um leitor pode achar certas partes do texto rapidamente envolventes devido ao interesse pessoal, outras podem parecer lentas devido à falta de conexão.

Além disso, a atenção variável de cada leitor e suas interpretações ativas de elementos, como o comprimento das frases e parágrafos, moldam a experiência do ritmo.

Essa interação dinâmica entre leitor e texto destaca como a leitura é uma atividade viva, onde o ritmo não é apenas uma construção do autor, mas também moldado pela experiência individual de cada leitor.

Umberto Eco não fala especificamente de ritmo, mas joga muitas luzes sobre o papel ativo do leitor na criação de significados em seu ensaio Seis Passeios Pelo Bosque da Ficção, leitura altamente recomendada para quem gosta de escrever.

Bom, até aqui, tudo o que foi apresentado – tema, enredo, personagem, ambientação, qualidade literária, batidas emocionais e ritmo – são ingredientes indispensáveis para a construção de um Best-Seller.

No entanto, o próximo ingrediente talvez seja o mais importante de todos.

Adoraria ouvir você e sua experiência sobre ritmo literário.

Quais livros te fizeram pegar e não largar?

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